"As frentes marítimas constituem áreas de forte sensibilidade ambiental e de grande conflito de usos, sobretudo quando, como é o caso, a maior parte da construção se fez sem qualquer regra e com um suporte infra-estrutural muito precário. A ocupação por construção de alojamentos sazonais (residências unifamiliares, parques de campismo e actividades relacionadas com o veraneio), muitos de génese ilegal, foi sendo substituída pelo predomínio da residência fixa, pela construção recente de habitação multifamiliar em condomínio fechado ou loteamento (unifamiliar e colectivo) e por uma cada vez maior pressão de uso da orla marítima, neste caso numa zona de conurbação muito pressionada pelo mercado imobiliário dirigido à procura de médio e alto rendimento.
Como resultado destas dinâmicas e da sua rapidez de evolução, atingiu-se uma fase crítica, quer em termos da má qualidade dos traçados viários e dos tecidos construídos, quer da delapidação dos recursos naturais e paisagísticos: poluição e degradação das praias e linhas de água, destruição da duna primária, ocupações clandestinas, estacionamento anárquico, etc."
Nuno Portas
Quando se analisa a realidade actual surgem vários marcos do passado que se destacam. Um exemplo são as antigas vilas piscatórias, com os seus perfis de rua estreitos e malhas não ortogonais, descoordenados da malha viária mais rápida e moderna. A estes núcleos piscatórios juntam-se os conjuntos rurais, com grandes casas senhoriais à volta de núcleos, e "ruas" esguias drasticamente limitadas por muros. Estas tipologias de aglomeração eram o denominador comum destas zonas e funcionavam de uma forma harmoniosa com as necessidades que as criaram. Surgem, no entanto, descontextualizadas dentro das recentes densidades e necessidades, da nova sociedade carro-dependente. As recentes (re)utilizações do território costeiro, labirinto de parques de campismo, residências fixas ou de veraneio, em regime mais ou menos privado, estruturas turísticas mais ou menos relacionadas com a praia, tornaram as anteriores estruturas estranhas e os usos que as justificaram anacrónicos. A malha viária que as serve, trabalhando com vias já existentes e com a requalificação de outras menos importantes, leva a uma sensação de desorientação para quem percorre estas áreas. Com uma rede capilar, os becos são inúmeros e não há marginais, mas vias sem ligação entre si.
A nossa abordagem a esta problemática reside inicialmente num espanto, uma boca aberta. Grande parte do que encontramos, perdidos pela orla costeira, é, na realidade, de génese legal. A política das colmatações permite a edificação ao longo das vias, preenchendo-se os espaços entre construções. SEM DISCRIMINAÇÃO. Edificar em terrenos agrícolas é também fácil de conseguir, existem procedimentos legais para tornear a questão. Os POOCs que impedem a construção a menos de 500 metros da costa também não interessam a ninguém. Na extensa marginal do concelho de Gaia, em zonas não urbanas, estão-se a construir blocos de habitação, logo a seguir à estrada marginal. Quais 500 metros? Constrói-se já aqui e tá a andar!

Depois de ler o texto do correlegionário Alexander, algumas coisas surgiram para complementar os tópicos do fundo. Nesta busca arquitectónica/conceptual/tipológica/geográfica, há que buscar os factores de afectividade que movem as pessoas. Nesta busca surgem temas como o bairro, fonte de vida urbana, de múltiplas interacções e contactos. Num bairro acontece um pouco de tudo: festas populares, bailes, torneios de futebol, jogos populares, fogo-de-artifício*.
A suburbanização do território impede isso. As populações definham em loteamentos suburbanos, obrigados a levar o carro para ir ao café ou a ter de usar o telefone para falar com os amigos. Em certas zonas (como a Cova da Piedade, onde me encontro agora), o desenvolvimento urbanístico foi feito quando ainda não havia a obrigatoriedade de construção de estacionamento subterrâneo para edifícios de habitação colectiva (uf, que frase comprida, tenho de parar para tomar ar )(ok, já estou bom). Quase ninguém vai a pé para fazer compras ou ir ao café, porque os passeios são, em regra, estreitos. Quem vai mesmo a pé acaba por utilizar mais a rua que o passeio, porque este está cheio de carros (de quem lá mora e de quem vai lá fazer compras). Deve ser difícil morar aqui, onde existe densidade mas não ordem. E uma coisa tem de acompanhar a outra.
Parece-me que o grande mérito dos bairros é o gerador de Identidades. Imagino todos os dias conversas de moradores (de zonas suburbanas completamente incaracterísticas, que vejo todos os dias) com quem os vai visitar no dia seguinte, mas não faz a mínima ideia onde estes moram. Como se explica a alguém que se mora no bloco cinzento, ao lado do bloco de pastilha azul, não no primeiro beco mas no segundo beco a seguir à segunda rotunda que aparece depois dos semáforos para quem sai da auto-estrada? Não sei...
Contacto
*A associação MARI tem presente que os fogos-de-artifício, normalmente organizados pelas Associações Culturais e/ou Recreativas e/ou Desportivas dos bairros, é ilegal. A associação MARI respeita o estado de direito e espera o desenvolvimento do país, e não defende o uso de fogo-de-artifício em nenhuma situação.
Assinado e
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Link para o login. Nunca sei qual é.
É para mim difícil dissociar a arquitectura, do quotidiano que habitamos diariamente. Se o trabalho do artista reflecte, em alguma maneira, as suas idiossincrasias e a sua forma de ver o mundo, é também moldado pelo seu quotidiano. Se tomou ou não o café de manhã, se estava muito ou pouco trânsito a caminho da loja das tintas, se o sexo correu bem ou mal no dia anterior, tudo isso pesa quando o artista enfrenta a tela depois do almoço. Dependendo do grau de comprometimento que ele assume com a obra, ou mesmo o grau de entrega, esta pode transparecer mais ou menos o seu dia-a-dia. A arte que não reflecte o quotidiano não é, necessariamente, uma arte menor. Medidas bem as distâncias, não se pode dizer que o projectar do arquitecto seja muito diferente disto. Projecta-se com o que se sabe e com o que se quer. Uma são as nossas certezas, a outra são as nossas dúvidas. As nossas certezas podem ser de vária ordem: físicas, metafísicas, sociais, hierárquicas, familiares, endógenas. As nossas incertezas nascerão do acto projectual, e serão procuradas utilizando as nossas certezas. Enquanto que as certezas são como que a língua que utilizamos, o modo de nos expressarmos, as incertezas estão presentes no nosso quotidiano. O acto projectual é apenas a nossa maneira de as procurarmos.
A mari não pára... Nem arranca! Multi-reuniões mari marcadas para a próxima semana. 2ª, 3ª, 4ª e talvez 5ª! A não perder. Jantar, copos e brain-storming!
Ok, a reunião de 10 de Julho foi mudada para... Data incerta! Mais novidades seguirão nos próximos capítulos...
Existem rumores de que vai haver uma reunião mari dia 17 de Julho (curiosamente, aniversário da Mari real) a subir o Douro. Estilo paquete, como fazem os grandes arquitectos quando se querem reunir. Preço da viagem: 45 euros. Descida do Douro de comboio, +- 7 euros.
Só para lembrar ao pessoal da mari... Reunião geral em 10 de Julho! O sítio ainda está por definir, mas serão tratados assuntos de grande importância para os associados mari como: ponderação da proposta do presidente dos USA, George W. Bush, de ser a mari a fazer a reconstrução do Iraque; revisão de salários; 13º mês; protocolos com associações internacionais; rever estatuto do panda chinês que nunca apareceu a nenhuma reunião; outros assuntos pendentes.
Bom trabalho e até lá!
Não sei o que é a mari. Pensando bem, ela ainda não existe. Posso pensar no que gostaria que ela fosse.
A mari não tem sítio nem lugar. Ela é caracterizada por quem a constitui e onde essas pessoas se localizam. Ela agarra-se fortemente aos sítios por onde passa, seja a Etiópia, o Japão, a Póvoa ou Espinho. Mas faz 'ligação directa' ao lugar. Assume as suas idiossincracias e luta por ele. O momento é fugaz e a mari agita-se para acontecer. Ela chama-se mari porque é constituída por nós. Se fossem outros ela teria um nome diferente, margarida, frida ou ísis. O nome é o que menos interessa.
O que interessa é que a mari é uma mulher do norte. Carago.
Bem-vinda, Susana, a esta casa que, mais do que tua ou minha, é nossa.
A Mari não tem ainda objectivos, mas acho que formulá-los enquanto documento formal seria uma óptima ideia. Há compromissos que não queremos comprometer, e tê-los escritos será uma boa maneira de os salvaguardar.
Todos podemos sonhar, mas o importante é fazer. Não quero ficar conhecido pelo gajo das grandes ideias mas que ficou à porta, com medo de entrar. Vamos para a frente, vamos mudar tudo!
PS Começo a gostar de Mari, mas se algum dia nos cansarmos do nome, que tal Familia? :)
A MARI começou... Preparem-se! Como não quero fazer uma introdução, deixo para mais tarde ou para outro MARI.
ELES quiseram chamar-lhe MARI. Eu queria dar-lhe outros nomes. Deixo aqui a lista:
Instrumento do Mal
O Fim da tua Vida
Tiro Certeiro
Os Cinco
Parapsicologia Pedante
Sem Tino
Diz Tino
Divaneios
Morte Atroz
Destino
Troça
Para Fernália
Soltos ao Vento
Super (Arquitectura)
Disto Ito
Disto Isto
Disto
Nós
Norteados
Sismógrafo
Sinto Muito
Sugestões dos outros:
Arquitectos do Carago
Bota Planta
Filters and Pipes
Kaff
FP
F&P
Para decidir MARI demoramos algum tempo ainda. Imagino quando for para decidir um projecto.